O slogan que tomou conta das redes e sociais e
passou a estampar os cartazes dos manifestantes revela uma dualidade: de um
lado está uma massa plural e manipulável, de outro, a face oculta do mal (que
apesar de ser um velho conhecido ainda engana o povo “inocente” e oportunista).
Para aqueles que possuem
uma mente letárgica é lógico que tudo é lindo. É o povo acordando, um povo
honesto e sofrido que é maleficamente manipulado pelos políticos – estes sim,
malvados, egoístas, manipuladores e detentores de todos os adjetivos negativos
possíveis-.
Os fãs do Neymar, orgulhosos
de se viver no “país do futebol” vão às ruas. Mas, dessa vez não usam armas,
usam smartphones comprados em Miame e usam roupas da Hollister ou da CK. Esses
sim representam a legítima face do povo brasileiro, nestes podemos confiar. Para
mudar o Brasil são lançadas propostas populares incríveis. “Vamos fechar o
Congresso! Vamos extinguir os partidos! Vamos promover o impeachment da
presidenta!” – o próximo passo será
pedir a volta da ditadura.
O mais curioso é que o
lema “#ogiganteacordou” foi recentemente usado em larga campanha publicitária
do whisky Johnnie Walker. Será que a mesma agência publicitária que criou esse
slogan está financiando os movimentos sociais? Será que o próximo passo é
substituir a cerveja (vedete nacional) pelo whisky? Ou pretendem inserir tal
bebida como item do Bolsa Famila? Uma coisa é certa, o Brasil há muito não
pertence ao povo, farta fatia, inclusive, pertence ao empresariado, cerca de
40% dos congressistas o são inclusive.
De qualquer modo, pra não
falarem que sou anarquista ou que não confio na legitimade das manifestações
populares, devo reconhecer que os movimento sociais são importantes e eficazes.
No entanto, os brasileiros precisam expandir as fronteiras do conhecimento para
não se deixarem levar pelo “oba oba” e entenderem as entrelinhas.
É ingênuo acreditar que “o
povo acordou” se vivemos na terra onde nem todos são tão santos, além de termos
um dos maiores índices de analfabetismo funcional do mundo (estavam
nesta condição em 2011 30,5 milhões de brasileiros, segundo o IBGE).
Rogério Braga