segunda-feira, 21 de julho de 2014

Você não gosta de discutir política?

Escrevi um artigo para aqueles que não gostam de discutir política. Leia e me dê sua opinião!


O Brasil está repleto de pessoas que acreditam ser politizadas, mesmo que odeiem discutir política. Afirmo isso porque sempre que inicio algum debate político logo alguém solta o jargão: política e religião não se discute. Como não discutir esses assuntos se eles estão umbilicalmente ligados a nossa existência? Sim, acredite, por mais que você não goste do assunto não há como fugir dele. Aristótoles já dizia que o homem é um animal político. O próprio aspecto axiológico da palavra “política” leva a noção de coletivo porque deriva de “politéia” e esta significa comunidade, sociedade, coletividade. O que justifica a apatia do brasileiro e a resistência em querer discutir algo que é tão importante em sua vida?

Aí que reside o perigo. Brasileiro não discute política porque não foi ensinado a fazê-lo. Melhor do que convencer alguém a fazer algo é fazê-lo pensar que está decidindo por conta própria. Essa afirmação pode soar estranha porque muitos acreditam que o processo cognitivo que leva alguém a decidir alguma coisa origina de sua vontade. Mas não digo que não haja vontade. O que questiono é de quem é a vontade? Por incrível que pareça, por mais letrado que a pessoa seja, ainda é comum em terras brasileiras a simples reprodução do que é transmitido pelos que ditam os rumos da política e da sociedade. Vivemos um coronelismo sem cercas, no qual o que aprisiona é a informação. O amplo acesso aos mais variados meios de comunicação fez com que as pessoas se tornassem ainda mais vulneráveis do que quando não os tinha. Digo isso porque a pessoa que recebe um conteúdo direcionado pode exteriorar comportamentos de acordo com o estímulo pretendido pelo emissor. Isso é algo sério porque um silogismo falacioso pode levar alguém a agir de maneira totalmente alienada e destrutiva e ainda acreditando que age da melhor maneira possível.

Nesse aspecto, as redes sociais vêm desempenhando papel extremamente relevante no mundo contemporâneo. O poder das redes sociais é tamanho que vem sendo utilizado para movimentar massas para a consecução de objetivos políticos. Aí está o ponto que eu queria chegar. Se as pessoas não discutem política e se estão cada vez mais conectadas na internet elas são presa fácil dos mal intencionados. Não raro vemos ‘posts” sendo compartilhados que apresentam informações totalmente descabidas como se fosse verdades indiscutíveis. Sabe por quê isso ocorre? Porque não gostam de discutir política.

Se não discutem não pesquisam. Se não pesquisam não tem acesso a pontos de vista distintos. Tudo se agrava quando o assunto é Facebook. Sabe por quê? Porque o Facebook apresenta conteúdo na sua “timeline” de acordo com suas clicadas, postagens, curtidas e interesses. Desse modo, se você gosta de compartilhar fotos de bebês com câncer, cada vez mais bebês com câncer aparecerão no seu “feed de notícias”. Depois de algum tempo você vai achar que o câncer - assim como o Comunismo – está crescendo de tal forma que estaríamos prestes a uma ditadura das crianças com câncer. A comparação pode parecer esdrúxula, mas acreditem, pessoas crêem em estórias bem piores. Principalmente em épocas eleitorais, período no qual soluções para resolver as demandas sociais não faltam. O bom é que os eleitores não gostam de discutir política e acreditam em qualquer coisa.

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