Confesso
que algumas notícias veiculadas recentemente na mídia me deixaram atônito. Nem
tanto pela superficialidade inserida na manchete, mas pela exteriorização de
uma face da sociedade contemporânea que assusta. Não que eu seja a
personificação do Walter Kowalski, personagem interpretado por Clint Eastwood
no filme Gran Torino, que se vê impotente ante à estagnação da economia dos
Estados Unidos e do declínio do American
Way of Life. Nem tampouco que eu ostente o pensamento criticado no filme
Meia-noite em Paris de Woody Allen, segundo o qual a Belle Époque seja melhor que a atual. Não, nada disso.
A
questão é que alguns fatos veiculados são tão inacreditáveis que beiram ao
sarcasmo, como se a qualquer momento fosse possível constatar que se trata se
uma piada do site de humor G17. Mas não, as notícias são expostas em
importantes sites como o da Folha de
São Paulo, G1, R7 e Veja, portais de grande alcance nacional e “formadores de
opinião” de considerável parcela da sociedade brasileira.
O
“politizado e seleto” grupo dos Yellow blocs
O
recente vídeo postado pela TV Folha, do Folha de S. Paulo, avulta um grupelho
que promete abalar as estruturas das instituições do Estado brasileiro: são os
yellow blocs. A narradora do vídeo ostenta um colar H. Stern e afirma ter vindo
de Los Ângeles especialmente para a festa. Entre uma fala e outra a câmera faz
questão de mirar acessórios como bolsas Gucci, Louis Vuitton, Carolina Herrera
e apitos dourados usados como colar. Uma das entrevistadas, que afirma ser
psicóloga, (bastante indignada) diz que não é “melhor que ninguém, mas que pagou
mais caro”, afirma que pagou “R$ 5.500 (à vista) e simplesmente não tem nada no
camarote, entrou como qualquer pessoa que pagou R$ 300”. Outra, que diz ser atriz,
alega que “o Brasil tem que aprender a mandar a Dilma tomar no c*” porque isso
é “a fúria do povo”, mas que o mais importante do protesto é ”o fundamento do
pensar”. Uma advogada também aprova os chingamentos à Presidente e diz que é a
favor “porque é totalmente contra o governo do PT”. As pessoas que aparecem na
reportagem ecoam o discurso vazio e ignorante de grande parcela da elite
brasileira, revelam que poder aquisitivo não é sinônimo de boa educação,
consciência políca e civismo.
Japoneses
são flagrados recolhendo o próprio lixo no estádio
Recente postagem no site Brasil
Post destaca um torcedor japonês recolhendo o (próprio lixo) após jogo na Arena
Pernambuco. A imagem do turista passou a ser massivamente retuitada e os
japoneses passaram a ser “seguidos” pelas câmeras nos jogos como se fossem
parte de um experimento científico. O curioso é a forma como algo tão elementar
como a responsabilidade de recolher o próprio lixo ainda é motivo de estranheza
para muitos dos brasileiros. Seria preciso uma Copa do Mundo para os
brasileiros notarem o óbvio?
Matérias como essas nos fazem
refletir se o problema repousa na má qualidade dos formadores de opinião da
mídia brasileira ou se não passa de um reflexo da sociedade que consume esse serviço
defeituoso. A qualidade dos meios de comunicação brasileiros já vem sendo
questionada por alguns setores da sociedade há algum tempo, mas sem forças para
alterar as estruturas de poder, concentrado nas mãos de poucos. Nesse sentido,
a revista inglesa The Economist publicou recentemente matéria que questiona a
hegemonia da Rede Globo no Brasil e insinua que seria hora da Presidente Dilma
adotar uma “Lei de Meios” semelhante a existente na Argentina.
Entretanto,
quaisquer tentativas de discussão acerca da regulação dos meios de comunicação,
que certamente melhoraria a substância daquilo que é veiculado, vêm sendo
duramente sabotadas pelos setores diretamente interessados na desregulação. Quem
perde são os brasileiros, que são bombardeados com conteúdo de qualidade duvidosa
e não desfrutam das vantagens que provém da informação sadia. E vc? Acredita
ser necessário regular a mídia brasileira e melhorar o conteúdo daquilo
que é transmitido aos telespectadores?
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