quarta-feira, 16 de julho de 2014

A má qualidade da mídia brasileira é reflexo de uma sociedade medíocre?

Confesso que algumas notícias veiculadas recentemente na mídia me deixaram atônito. Nem tanto pela superficialidade inserida na manchete, mas pela exteriorização de uma face da sociedade contemporânea que assusta. Não que eu seja a personificação do Walter Kowalski, personagem interpretado por Clint Eastwood no filme Gran Torino, que se vê impotente ante à estagnação da economia dos Estados Unidos e do declínio do American Way of Life. Nem tampouco que eu ostente o pensamento criticado no filme Meia-noite em Paris de Woody Allen, segundo o qual a Belle Époque seja melhor que a atual. Não, nada disso.
A questão é que alguns fatos veiculados são tão inacreditáveis que beiram ao sarcasmo, como se a qualquer momento fosse possível constatar que se trata se uma piada do site de humor G17. Mas não, as notícias são expostas em importantes sites como o da Folha de São Paulo, G1, R7 e Veja, portais de grande alcance nacional e “formadores de opinião” de considerável parcela da sociedade brasileira.

O “politizado e seleto” grupo dos Yellow blocs

O recente vídeo postado pela TV Folha, do Folha de S. Paulo, avulta um grupelho que promete abalar as estruturas das instituições do Estado brasileiro: são os yellow blocs. A narradora do vídeo ostenta um colar H. Stern e afirma ter vindo de Los Ângeles especialmente para a festa. Entre uma fala e outra a câmera faz questão de mirar acessórios como bolsas Gucci, Louis Vuitton, Carolina Herrera e apitos dourados usados como colar. Uma das entrevistadas, que afirma ser psicóloga, (bastante indignada) diz que não é “melhor que ninguém, mas que pagou mais caro”, afirma que pagou “R$ 5.500 (à vista) e simplesmente não tem nada no camarote, entrou como qualquer pessoa que pagou R$ 300”. Outra, que diz ser atriz, alega que “o Brasil tem que aprender a mandar a Dilma tomar no c*” porque isso é “a fúria do povo”, mas que o mais importante do protesto é ”o fundamento do pensar”. Uma advogada também aprova os chingamentos à Presidente e diz que é a favor “porque é totalmente contra o governo do PT”. As pessoas que aparecem na reportagem ecoam o discurso vazio e ignorante de grande parcela da elite brasileira, revelam que poder aquisitivo não é sinônimo de boa educação, consciência políca e civismo.

Japoneses são flagrados recolhendo o próprio lixo no estádio

Recente postagem no site Brasil Post destaca um torcedor japonês recolhendo o (próprio lixo) após jogo na Arena Pernambuco. A imagem do turista passou a ser massivamente retuitada e os japoneses passaram a ser “seguidos” pelas câmeras nos jogos como se fossem parte de um experimento científico. O curioso é a forma como algo tão elementar como a responsabilidade de recolher o próprio lixo ainda é motivo de estranheza para muitos dos brasileiros. Seria preciso uma Copa do Mundo para os brasileiros notarem o óbvio?
 Matérias como essas nos fazem refletir se o problema repousa na má qualidade dos formadores de opinião da mídia brasileira ou se não passa de um reflexo da sociedade que consume esse serviço defeituoso. A qualidade dos meios de comunicação brasileiros já vem sendo questionada por alguns setores da sociedade há algum tempo, mas sem forças para alterar as estruturas de poder, concentrado nas mãos de poucos. Nesse sentido, a revista inglesa The Economist publicou recentemente matéria que questiona a hegemonia da Rede Globo no Brasil e insinua que seria hora da Presidente Dilma adotar uma “Lei de Meios” semelhante a existente na Argentina. 
Entretanto, quaisquer tentativas de discussão acerca da regulação dos meios de comunicação, que certamente melhoraria a substância daquilo que é veiculado, vêm sendo duramente sabotadas pelos setores diretamente interessados na desregulação. Quem perde são os brasileiros, que são bombardeados com conteúdo de qualidade duvidosa e não desfrutam das vantagens que provém da informação sadia. E vc? Acredita ser necessário regular a mídia brasileira e melhorar o conteúdo daquilo que  é transmitido aos telespectadores?

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